porLuís Fernando de Carvalho Sousa

O que podemos aprender com Maquiavel?

Para Maquiavel os embates na república eram os responsáveis pela manutenção saudável do sistema político. O conflito para ele é inerente ao sistema, sem ele não se tem vida política.

Num livro, pouco citado, mas de suma importância chamado “Discursos sobre Tito Lívio” Maquiavel traça um paralelo entre a Roma de Tito e a Florença de seu tempo. Nele faz comparações e apontamentos sobre a vida e atuação política.

Como se organiza a política para Maquiavel? A política se organiza entre dois grandes grupos: os grandes e o povo. Esses não possuem identificação sociológica ou econômica. Sua identificação se dá pelos humores – do italiano umori. Uma espécie de desejo, ou ideologia – traduzindo para termos atuais. Nesse sentido, um pobre pode pertencer ao humor dos grandes e vice-versa.

Qual é a identificação desses grupos? Os grandes têm o desejo de dominar e povo o desejo de não ser dominado. A orientação se dá por meio desses desejos. Nessa interação os grupos disputam e entram em conflitos. Em decorrência disso nascem as leis. Para que isso seja salutar as instituições devem ser fortes.

As leis nesse sentido seriam fruto do conflito entre os grupos integrantes da república. É isso que Maquiavel defende. Há, então, a necessidade de se ter instituições que funcionem de maneira sólida para que não haja injustiças e domínio ou supremacia de uma classe sobre a outra.

Se transpormos isso para a realidade brasileira entenderemos que o momento que vivemos é produtivo. O conflito que se instalou em nossa sociedade pode ser proveitoso se conseguirmos olhar para nossas instituições e fortalece-las de maneira a mantê-las em sua solidez.

O Estado só é forte com instituições fortes. Isso precisa chagar às instancias superiores de poder. Somente fortalecendo de democratizando as instituições é que se pode ter uma democracia salutar.

Outro elemento interessante na proposta de Maquiavel é que o povo era conclamado a participar da política. Determinadas funções eram feitas por meio de sorteio e o cidadão era chamado a participar. Isso estimula e democratiza a política.

Há também a necessidade de “desprofissionalizar” a política e trazê-la para perto do povo. A política deve se fazer no dia-a-dia. Não somente em período de eleições. Maquiavel tem muito a nos ensinar, basta sabermos ponderar e fazer as devidas críticas.

O conflito de ideias e participação popular pode ser mais saudável do que pensamos. Nosso momento propicia isso.