O padrão da expressão de Bolsonaro

porAntonio Belchi

O padrão da expressão de Bolsonaro

O texto que seguirá abaixo, mostra uma técnica conhecida como firehosing, da qual Trump se vale para fazer política e conduzir a nação sem a ameaça permanente da grande mídia em denúncia lo

Bolsonaro, nosso Trump tupiniquin de cacho de banana no pescoço usa uma tática semelhante, porém a diferença é que a desfaçatez de Bolsonaro é de um nível inferior ao que Trump pratica.

Bolsonaro, na linha Trump, assumiu a desonestidade como padrão de expressão. Nenhum compromisso com fatos, nenhum constrangimento em mentir descaradamente.

Vi uma matéria outro dia, sobre Trump (vou tentar localizar), dizendo que isso é uma nova forma de poder. Ao mentir e colocar às pessoas o ônus de rebater absurdos, humilha-se o outro, que não merece, sequer, a sinceridade de suas posições.

O mais grave, a meu ver, é que isso se alastra para seus seguidores. Sempre com um rol de frases feitas, essas pessoas estão curtindo não ter qualquer desgaste mental para elaborar sua fala num diálogo. Há quase um roteiro, o “capitão” vai fornecendo novos elementos.

Assim, não importa que Bolsonaro tenha agido como parlamentar contra o Mais Médicos, tentado sistematicamente derrubar o programa e atingir a dignidade dos médicos cubanos inclusive propondo restrições de trabalho a seus familiares “para desincentivar laços duradouros”. Não importa que tenha incorporado a teoria da conspiração de que seriam guerrilheiros infiltrados e assumido que iria EXPULSÁ-LOS e ainda indicar que deveriam “atender petistas em Guantânamo”. Não importa a notória bandeira anti-direitos humanos, os quais já comparou a estrume.

Não importa. Descaradamente, ao tempo que leva adiante seu projeto de expulsão, resolve dizer que é para proteger os direitos humanos e “libertar” os cubanos. E seus seguidores passam a festejá-lo como libertador de escravos e humanista.

Como coerência alguma lhe é exigida, segue também dizendo que não há prova de que os médicos sejam médicos. Não importa a notoriedade das regras do programa e da atuação mundialmente reconhecida dos médicos cubanos. Seus seguidores lobotomicamente assimilam o comando e repetem “se são médicos, era só fazer o Revalida”. Alguns juram que assim teremos “excelência” e a saúde terá seu “agora vai”.

O novo coringa desse baralho de sandices é dizer que a culpa é dos Prefeitos, que teriam demitido os brasileiros para ficar com os médicos cubanos. Não importa que isso tenha sido sacado do sovaco presidencial após apelo dos prefeitos para que Bolsonaro reveja sua posição. Não importa a ausência completa de evidência, a absurdice da coisa, as 2.000 vagas em aberto, a notória cultura elitista da classe médica brasileira.

Não, nada importa. Bolsonaro decidiu que governará por esse domínio da narrativa do irreal, com apoio de seus seguidores, pela qual a culpa sempre será dos outros e quem se opuser cairá exausto lutando por um pingo de lucidez e coerência.

Há gente otimista achando que dá pra alcançar com diálogo essas pessoas que embarcaram no delírio. Não acho que seja possível. É um gozo maravilhoso demais isso de poder dar voz a fantasias como se fossem verdades e encontrar eco. Um gozo de irresponsabilidade, o ego gritando pro mundo que o mundo se dane.

É somente um trauma profundo, uma nova ferida egóica, tal qual aquelas experimentadas na infância pra trazer crescimento, que poderá transformar isso. Como o trauma agora dos prefeitos – naturalmente grande número deles vinha compartilhando o gozo do bolsonarismo até tomar o soco na cara da falência repentina da rede de saúde que precisa gerir.

Só vai voltar a importar tudo o que hoje não importa quando a realidade forçar cada um a despertar da fantasia de que esse gozo é eterno e sem consequências. O duro é que até lá muita desgraça vai ser suportada por gente demais.

Na teoria dos jogos de Jonh nash, vale salientar, a direita sempre está um passo a frente por mudar constantemente o discurso, causando uma sensação de impotência por parte do campo progressista

Texto de autoria de Roberta Maia Gresta

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